quinta-feira, 7 de setembro de 2017

POR LIVRE E PRÓPRIA ESCOLHA




Vemos o mal – o nosso vulgo inimigo – como os obstáculos, as situações, as circunstâncias e os demais empecilhos que nos impedem de alcançar os objetivos que traçamos, quando, na verdade, nós mesmos somos nosso próprio mal, nosso próprio inimigo. Nós mesmos somos nossos obstáculos. Nós mesmos nos impedimos de chegar aonde queremos. Nós mesmos escolhemos aceitar quando alguém diz que não somos bons para isso ou aquilo. Nós mesmos escolhemos não acreditar em nós mesmos porque os outros não acreditam. Nós mesmos escolhemos aceitar quando nos dizem o que devemos ou não fazer para sermos felizes. Nós mesmos escolhemos ser o que os outros querem que sejamos. Nós mesmos escolhemos nos criar ou sermos criados. Nós mesmos escolhemos praticar e sentir os preconceitos que nos incitaram a praticar e sentir. Nós mesmos escolhemos aceitar quando nos dizem que algo é a verdade absoluta e que não deve ser questionada. Nós mesmos escolhemos superar a nós mesmos ou continuar limitados. Nós mesmos escolhemos nos manter presos ou abraçar a liberdade que existe. Nós mesmos escolhemos ser incapazes e covardes. Nós mesmos escolhemos passar pela vida e viver ou morrer sem ter vivido. Nós mesmos escolhemos o que nos faz felizes.

Mas mesmo depois de crescidos – pelo menos em idade e altura – e aptos a aprender habilidades que não nos foram ensinadas na escola, preferimos culpar o que está ao nosso redor e, até mesmo, aquilo que é criado por nossas mentes: deuses, demônios, pais, mães, amigos, colegas, patrões, rivais, circunstâncias banais, a sociedade, a esquerda, a direita, etc. É mais fácil; menos dolorido para nossa consciência. Pôr em alguém a culpa por nossos fracassos é mais fácil do que assumir a culpa; mais fácil do que admitir que não crescemos e não nos tornamos o nosso melhor por causa de nós mesmos, por não assumirmos a capacidade que temos de superar tudo e conquistar o que desejamos.

É preciso deixar de culpar quem e o que quer que seja pelos nossos fracassos. É preciso cair, erguer-se, aceitar que o tropeço aconteceu porque não se viu a pedra no caminho e se dedicar, com todas as forças, a aprender o que for preciso para se desviar das pedras que estarão pela frente ou usá-las a favor de si mesmo.

Wiler Jr. - 07/05/2017

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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

NUMA DOSE DE CAFÉ

numa dose de café

Sentido para a vida?
Não sente, não vê?
Pense, um instante pelo menos,
que respirar seja o sentido que anseia.
Inspire profundamente.
Expire.
De novo.
Prossiga.
A vida lhe entra pelo nariz
(sente?),
sai e volta outra vez,
sua máquina humana operando.
Permite que a vida lhe entre pelos olhos,
mostre-lhe ao redor a grandeza da natureza,
do que ela foi,
do que ela é,
do que você foi,
do que é,
do que será,
do que seremos,
do que faremos.

Basta continuar
caminhar, correr, sonhar,
lutar, sorrir, conquistar,
inspirar tanta vida,
expirar tanta vida,
enxergar tanta vida
quanto pudermos até
que não mais aguentemos
e a devolvamos toda
para quem nos emprestou.

Wiler Antônio do Carmo Jr. 

domingo, 13 de novembro de 2016

CAI A CHUVA



Cai a chuva
Passarinhada alegre
Cheiro de terra molhada a sabor do vento
Baixa a poeira
Rega as pastagens
Faz a festa dos que têm sede
Refresca o homem da terra que sofre com a impiedade do sol
Enche os rios com o passado que a terra experimentou
Lava aquilo que lá atrás ficou

Logo ela se vai
Começa um novo ontem para o amanhã
E logo ela retorna
Começa tudo outra vez
Uma renovação do mundo.



Wiler Antônio do Carmo Jr.


domingo, 30 de outubro de 2016

RARO

raro

Porque o raro salta aos olhos
e distrai a mente;
Faz voar e viajar por lugares distantes,
Adentrar florestas e desertos imensos,
Explorar os extremos de rios e mares,
Justificar o abstrato através do concreto,
Explicar o céu a partir da terra,
Entender o complexo com as mãos dadas à simplicidade,
Sustentar o óbvio observando o duvidoso,
Sentir a vida e ignorar a morte,
Incitar a guerra apontando para a paz,
Crer na grandeza com os olhos pairando sobre a miudeza.

Wiler Jr. - 20/10/2016

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

PEQUENAS COISAS

Ontem abri a lanchonete um pouco atrasado. A meninada do colégio ao lado ia chegando e já se acomodava no muro do lugar e nos bancos da praça logo em frente. Meu primeiro cliente foi um menino do colégio, tendo seus onze ou doze anos. Como de costume, perguntei do jeito que faço com os outros alunos:
- Que que cê manda, Pequeno?
- Oi - ele respondeu, timidamente. - Eu vou querer um bombom.
Peguei o bombom. O menino remexeu num bolso da mochila, tirou umas moedinhas e as ajeitou e contou em cima do balcão.
- Ah. Vou levar mais um.
Entreguei para ele e perguntei, brincando:
- É pra namorada?
- Não, não - ele respondeu, sorrindo; satisfação na voz. - É pro meu irmão. Hoje é aniversário dele.
Fiquei sem ação. Só respondi um "Então tá bom", sorri para ele, agradeci e recolhi suas moedinhas. Não tinha mais o que dizer ou fazer.
Ali, como em muitas outras vezes nesses meus vinte e poucos anos de vida, eu vi o valor das pequenas coisas superando o das grandes. "Pequenas coisas", a que me refiro aqui, não são os bombons, o tamanho ou o preço deles.
"Pequenas coisas", a que me refiro aqui, são a representação dos bombons e a intenção do menino ao comprá-los como um presente.
"Pequenas coisas", a que me refiro aqui, são as coisas que o menino pode ter feito para conseguir aquelas moedinhas para comprar algo para si, mas sacrificou seu desejo e comprou para o irmão a fim de agradá-lo no dia de seu aniversário.
"Pequenas coisas", a que me refiro aqui, são capazes de superar o maior dos presentes no que diz respeito a tamanho ou preço.
"Pequenas coisas", a que me refiro aqui, são a representação do amor e do respeito.


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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A CORRIDA DE SAPINHOS


Era uma vez uma corrida de sapinhos.


Eles tinham que subir uma grande ladeira e, do lado havia uma grande multidão, muita gente que vibrava com eles.

Começou a competição.

A multidão dizia:

– Não vão conseguir! Não vão conseguir!

Os sapinhos iam desistindo um a um, menos um deles que continuava subindo. E a multidão a aclamar:
– Não vão conseguir! Não vão conseguir!
E os sapinhos iam desistindo, menos um, que subia tranquilo, sem esforço.
No final da competição, todos os sapinhos desistiram, menos aquele.
Todos queriam saber o que aconteceu, e quando foram perguntar ao sapinho como ele conseguiu chegar até o fim, descobriram que ele era SURDO!

Moral:
Quando queremos fazer alguma coisa que precise de coragem não devemos escutar as pessoas que falam que você não vai conseguir. Seja surdo aos apelos negativos.

Fábula escrita por Monteiro Lobato.


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