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domingo, 15 de outubro de 2017

DALI DO FIO CANTA O CANARINHO

Fonte: Freepik

Dali do fio canta o canarinho.
Mais um chamado que um canto.
Canta, canta, canta, canta.
Chama, chama, chama, chama.

E voou.
Foi-se.
Voou pra longe da minha vista.
Sumiu.
Mas não há quem diga que eu
não volte a vê-lo.

Deixou comigo o barulho dos carros,
o vento manso e o canto distante de
outros passarinhos.

Deixou comigo o pensamento
de como seria poder voar.
Voar não com asas de avião,
mas com minhas próprias.

Voar alto e enxergar
aqui embaixo lá de cima,
mesmo à mercê de gaviões,
da maldade do homem,
dos ventos fortes de tempestades
e outros perigos mil.

Poder cortar o ar a piruetas e zigue-zagues,
mudando o ângulo das asas a bel-prazer
e passando precisamente por entre os galhos das árvores,
como todo bom e livre passarinho faz.

Voar.
Não ficar numa gaiola de grades intransponíveis,
que prende, sufoca, machuca.

Gaiola que corrói as entranhas do instinto de liberdade
e força a ver e ouvir os outros passarinhos voarem,
dançarem, cantarem, perambulando para todos os lados
- cá e lá, lá e cá.

Gaiola que força a cantar para agradar o ouvido
e o ego de quem poderia escutar seu canto
mesmo que estivesse no galho de uma árvore
e não num só poleiro.

Gaiola em que se fica preso como um troféu
pela posse de algo esplêndido e raro,
por puro ato de egoísmo.
Ou, talvez, por pura vingança;
vingança por ser tão preso aos padrões que deve seguir
para viver bem em sociedade
que tem de prender quem está livre de tais.
Vingar-se privando da liberdade quem deve ser livre
por natureza.

Gaiola que, depois de tanto tempo tida como lar,
mesmo com a portinhola aberta,
não engatilha mais a vontade de liberdade,
mas, na verdade, o medo de tê-la.

Wiler Antônio do Carmo Jr., 14 de outubro de 2017.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

NUMA DOSE DE CAFÉ

numa dose de café

Sentido para a vida?
Não sente, não vê?
Pense, um instante pelo menos,
que respirar seja o sentido que anseia.
Inspire profundamente.
Expire.
De novo.
Prossiga.
A vida lhe entra pelo nariz
(sente?),
sai e volta outra vez,
sua máquina humana operando.
Permite que a vida lhe entre pelos olhos,
mostre-lhe ao redor a grandeza da natureza,
do que ela foi,
do que ela é,
do que você foi,
do que é,
do que será,
do que seremos,
do que faremos.

Basta continuar
caminhar, correr, sonhar,
lutar, sorrir, conquistar,
inspirar tanta vida,
expirar tanta vida,
enxergar tanta vida
quanto pudermos até
que não mais aguentemos
e a devolvamos toda
para quem nos emprestou.

Wiler Antônio do Carmo Jr.