terça-feira, 24 de junho de 2025

Humanos, reféns de memórias

As consequências de um ataque ao campo de refugiados de Jabalia, em Gaza,
no início da Guerra Israel-Hamas, em 2023 (Fonte da imagem: 
BBC News Brasil)

Nós, humanos, somos as memórias que criamos e mantemos. Nada mais que isso. Uma ligação neuronal que se quebra em nosso cérebro é suficiente para deixarmos de ser o que éramos antes do fenômeno. Se você acredita que existe algo como “alma”, as evidências científicas encontradas até hoje indicam que aquilo que entendemos como “eu”, “consciência” ou “identidade” se resume às memórias, que, por sua vez, são fruto das conexões neurais e dos padrões de atividade elétrica e química do nosso cérebro.

Não escolhemos onde nascer e, quando nascemos e chegamos a uma idade em que temos certo grau de compreensão, nos são ensinados diversos costumes a que não temos direito de escolha. Em outras palavras, esses costumes são imputados em nossa mente, tornando-se nossas primeiras memórias. Esses costumes são tradições religiosas, culturais e políticas. A regra de ouro para uma coexistência pacífica é obedecer a esses costumes sem jamais questionar por que existem ou os motivos para obedecê-los. Uma ferramenta crucial para a criação e manutenção de uma sociedade humana coesa e manipulável.

Em seu “Discurso da Servidão Voluntária” (1577), Étienne de La Boétie (1530-1563) afirma que as coisas às quais o homem é treinado e acostumado parecem naturais a ele, moldando seu caráter de forma que ele segue instintivamente as tendências dadas por seu treinamento. Trilhar esse caminho instintivo impede que o homem perceba sua natureza de ser e desejar ser livre. E é justamente por isso que fazê-lo trilhar esse caminho é essencial para aqueles que o treinaram e reforçam seu treinamento de quando em quando, senão constantemente, por meio da educação e de símbolos, rituais, propaganda e inúmeras outras ferramentas. Tudo cuidadosamente destinado a mantê-lo em uma servidão voluntária a eles.

Com as memórias criadas e mantidas por esse treinamento, os treinadores – que, daqui em diante, passarei a chamar de “dominadores” – conseguem manter boa parte de uma sociedade, ou até toda ela, sob seu controle, o que lhes permite utilizá-la a seu bel-prazer: seja para se perpetuar no poder, livres para fazer o que quiserem, sem reprimendas; seja para combater quem ameaça tomar esse poder; seja ainda para impor sua dominação sobre outras sociedades, inclusive de outras nações, que, obviamente, possuem outros costumes, portanto, outras memórias. Aos dominadores nada é mais essencial do que o treinamento que dão. Depois desse treinamento primordial, apenas o treinamento técnico – aquele que permitirá aos subordinados realizar os engenhos, bélicos ou não, de seus dominadores – é essencial. Nenhum outro treinamento se faz necessário.

Um treinamento que ultrapassasse os limites do conhecimento proporcionado pelos outros dois poderia pôr fim à cegueira causada pelo nacionalismo, pelo patriotismo e pelo fanatismo religioso ensinados e reforçados desde cedo pelo treinamento primordial. Um treinamento que ultrapassasse os limites do conhecimento proporcionado pelos outros dois poderia revelar que o “outro”, que aprendemos a ver como inimigo, alguém de quem devemos ter medo, é, na verdade, bem parecido conosco mesmoshumano como nós mesmos. Poderia revelar, ainda, uma verdade incômoda: que todo o treinamento primordial beneficia, exclusivamente, ninguém mais do que os próprios dominadores.

Isso pode parecer algo distante no tempo, no espaço, algo que não cabe no século XXI. Mas não é. Basta se afastar um pouco de nossa confortável ilha, seguindo o conselho de José Saramago (1922-2010) – ou, dito de uma forma contemporânea, que saiamos de nossa aconchegante “bolha” –, e voltar os olhos para ela, agora com nosso senso crítico ligado. Esse fenômeno está em toda parte, em diferentes matizes e graus de intensidade em qualquer sociedade: da família mais pobre à mais rica, da sua família à família de alguém do outro lado do mundo, da padaria da esquina às maiores corporações, da igreja evangélica de uma só porta aos maiores templos religiosos, da escola de um minúsculo povoado às maiores universidades, da prefeitura de uma cidade minúscula ao governo dos maiores países.

No Leste Europeu, a guerra entre Rússia e Ucrânia segue sustentada por narrativas nacionalistas e memórias históricas moldadas para justificar o presente, chegando ao ponto de a Rússia sequestrar crianças ucranianas e doutriná-las para guerras futuras. No Oriente Médio, os intermináveis ciclos de violência entre Israel, Gaza, Irã e seus aliados, onde o inimigo é uma construção tão enraizada, mantida há tantos séculos, que qualquer possibilidade de coexistência parece, muitas vezes, impossível. Na África, conflitos como a Guerra Civil do Sudão, da República Democrática do Congo, da Somália, da região do Sahel e tantos outros, onde etnias, religiões e fronteiras artificiais criadas pelo colonialismo seguem alimentando massacres, deslocamentos forçados e tragédias invisíveis para grande parte do mundo. Dentro do próprio Brasil, o inimigo é fabricado diariamente: nas periferias, onde a população negra é o alvo preferencial; nas florestas, onde povos originários são tratados como "obstáculos ao progresso"; e nas ruas e redes sociais, onde o diferente é visto como ameaça a ser combatida, não como alguém com quem se dialoga.

Memórias nos indicam quem são nossos familiares, nossos amigos e, mais importante, nossos inimigos – aqueles que, em termos de evolução biológica, ameaçam nossa existência e, por consequência, a sobrevivência de nossa descendência. Memórias movem desde pequenos conflitos familiares a guerras mundiais. Memórias definem que objeto pertence a quem, que ínfimo pedaço de terra pertence a quem, que território pertence a quem, que continente pertence a quem. Memórias fazem derramar o sangue inocente de quem é enviado para lutar guerras movidas por líderes egocêntricos que viverão os últimos dias dos confins de sua velhice em um leito macio e quente.

Quando seguimos cegamente o que nos é ensinado no treinamento primordial que nos é dado – treinamento que condena alguém que é humano como nós mesmos, que difere de nós apenas nos costumes e no lugar em que nasceu, ambos frutos do acaso –, corremos o risco de nos condenarmos a nós mesmos. Quando apoiamos alguém que demoniza ou pretende destruir outro ser humano, precisamos criar, contra toda a vontade dos que nos dominam, a memória de que também somos humanos e uma hora ou outra poderemos ser demonizados e destruídos.

Para encerrar, retoco no ponto do inimigo, mencionado duas vezes ao longo deste texto, relembro a conferência “Construir o inimigo”, realizada em 2008 e publicada no livro “Construir o inimigo e outros escritos” (2011), em que Umberto Eco (1932-2016) mostra como definir o “outro” como inimigo ajuda os poderosos a definir quem é o “nós”, um mecanismo talvez tão antigo quanto a própria humanidade. O mais impressionante, a meu ver, é que esses inimigos não precisam ser necessariamente reais, concretos, palpáveis: eles podem ser completamente imaginários, inventados, distorcidos ou exagerados. A simples ideia de um inimigo já é suficiente para gerar coesão interna, fortalecer laços de pertencimento e justificar qualquer tipo de violência, repressão ou opressão

A questão imaginária me impressiona por causa da contínua exploração da fragilidade humana em se apegar a superstições, que, ainda hoje, seguem vivas, apesar de todo o avanço da ciência, do conhecimento e da tecnologia que a humanidade foi capaz de desenvolver. E é exatamente disso que os dominadores precisam. O treinamento primordial utilizado por eles há tantos milênios jamais perdeu completamente sua eficácia frente a qualquer avanço do conhecimento humano.

Observando o padrão que a História nos mostra, me parece que, por mais que eu e tantas outras pessoas – muito mais capacitadas do que eu – lutemos pela promoção do pensamento crítico, talvez a única ferramenta capaz de ajudar a humanidade a se proteger de tais dominadores, não importa quanto tempo passe, nós, humanos, seguiremos sendo, talvez para sempre, reféns das memórias que nós mesmos criamos.

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Publicado como coluna no jornal "O Alto Paraopeba":
https://jornaloaltoparaopeba.com.br/index.php/2025/06/15/humanos-refens-de-memorias/

domingo, 18 de maio de 2025

Crônica de uma cruz enfeitada


Mais um ano, mais um outono, e estou mais uma vez enfeitada! Linda, leve e solta – embora presa aqui no mesmo lugar. Mas isso faz anos… muitos anos, na verdade. Muitos anos desde que aquele senhor pegou um caule mais longo e outro mais curto, juntou em um só e afixou bem em frente à porta da sala de sua casa. Desde então, todo ano, quando o frio começa a apertar meus veios secos, uma moça, que muito vi crescer, me enfeita toda com fitas coloridas, mesmo depois que o senhor que me criou deixou de passar perto de mim. Como fico linda!

Este ano não foi diferente, mas algo estranho aconteceu.

Desde que fui criada, e mesmo antes, quando eu era o caule mais longo e o caule mais curto, sempre vi muitos animais por aqui, principalmente cachorros, de que não me esqueço porque nunca conseguiram deixar de fazer xixi em mim. Vejo uns todos os dias; outros vejo apenas de vez em quando; outros já não vejo há muito tempo. Mas o que está intrigando é o sumiço do Espoleta Caramelo, bem novinho, recém-chegado por aqui, que passava por mim todos os dias, sem nem me dar atenção até pouco depois de a moça me enfeitar dessa última vez. Não o vejo desde que resolveu brincar de tirar os enfeites das minhas partes que ele alcançava com seus dentes branquinhos. Brincadeira de criança, eu sei. E não me importei nem um pouco por ele fazer isso. Eu já o tinha visto passando por mim com chaves de fenda, luvas e outras ferramentas na boca. E eu achava uma graça! Espoleta todo! Brincadeira de criança.

Mas, sobre a brincadeira com meus enfeites, achei até interessante, pois foi o único de todos os que já passaram por aqui que realmente se interessou por esses enfeites coloridos. Foi um verdadeiro deleite vê-lo jogando as fitas para o alto, rodopiando, rosnando, rolando no chão, pulando com elas na boca. Essa alegria foi maior do que a tristeza que eu poderia sentir por perder uma parte dos meus enfeites. O resto continua enfeitado, e, mesmo assim, passo a maior parte do ano sem esses enfeites ou com eles já sem cor, corroídos pelo vento, pela chuva, pelo orvalho, pelo xixi dos meus companheiros. Logo, logo mais um ano passa: volto a ser enfeitada mais uma vez e fico tão feliz como em todas as outras vezes.

Não sei por que nem pra que os enfeites; só sei que é assim. O pouco que sei, pelo que já ouvi, é que os da casa parecem se sentir protegidos e agradecidos*, mas não sei por quê. Como eu, parada aqui, inerte, toda enfeitada, toda colorida, protejo alguém de alguma coisa? E não acho que eu ficaria triste se nunca tivesse esses enfeites em mim; afinal, nesta minha vida de tantas vindas da terra para os ares e tantas voltas dos ares para a terra, eles são coisas de que nunca precisei e, se vêm, apenas os aceito, pois não tenho como rejeitá-los.

Uma coisa que notei foi que o Espoleta sumiu desde que ouvi um moço da casa do meu criador contar as peripécias do Espoleta com meus enfeites ao dono da casa de onde ele vinha todas as manhãs. Desse último só escutei um “Pode deixar que vou dar um jeito nele”.

O que será que ele quis dizer com isso? Se é para isso que sirvo, só espero que minha proteção esteja com o Espoleta e que os da casa que me criou se sintam agradecidos por essa proteção.

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* Nota: Em muitas regiões, enfeitar cruzes no início de maio é um ritual popular associado à proteção e à gratidão. A prática remonta ao Dia da Invenção da Santa Cruz (3 de maio), ligado à tradição mitológica católica segundo a qual Helena (246/48–330), mãe do imperador romano Constantino I (272–337), teria encontrado em Jerusalém a cruz onde Jesus foi crucificado, junto com os três pregos usados no suplício, que, segundo a tradição, teriam sido transformados em uma coroa e um freio de cavalo para o imperador. Trata-se de um episódio sem confirmação histórica, que parece ter servido mais à consolidação simbólica do cristianismo como religião imperial do que a um fato historicamente comprovado.

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Publicado como coluna no jornal "O Alto Paraopeba":
https://jornaloaltoparaopeba.com.br/index.php/2025/05/18/cronica-de-uma-cruz-enfeitada/

domingo, 30 de março de 2025

"Sua hora chegou": quando o "destino" é fruto da negligência

 

Cemitério em Manaus durante o auge da pandemia de Covid-19 no Brasil,
em maio de 2021 / Fonte: Michael Dantas/AFP/Getty Images

Este texto é o aprofundamento do assunto abordado no vídeo "SUA HORA CHEGOU!", publicado em nosso canal no YouTube. Assista ao vídeo aqui: https://www.youtube.com/shorts/ZrFz3PRxW4w

Você já ouviu alguém dizer que uma pessoa morreu porque “a hora dela chegou”? Essa frase tão comum muitas vezes serve para mascarar algo alarmante: a negligência que transforma problemas evitáveis em tragédias devastadoras.

Vemos isso acontecer repetidamente. Pense, por exemplo, no desabamento da ponte entre os estados de Tocantins e Maranhão, ocorrido em 22 de dezembro de 2024, que tirou vidas e deixou famílias arrasadas. Relatórios técnicos apontavam problemas estruturais desde 2019, mas a falta de manutenção transformou um alerta em tragédia. Pense ainda nas chuvas catastróficas no Rio Grande do Sul, entre o final do mês de abril e o início do mês de maio de 2024, que resultaram em mais de 180 mortes e afetaram mais de dois milhões de pessoas. Essa enchente, longe de ser um evento isolado, escancarou a ausência de planejamento urbano adequado, a ocupação desordenada de áreas de risco e a falta de investimentos em infraestrutura preventiva.

E é claro que não posso deixar de mencionar a negligência durante a pandemia de Covid-19, ocorrida antes dessas duas tragédias. A demora na adoção de medidas eficazes, a desinformação disseminada por autoridades e a falta de investimentos em prevenção levaram o Brasil a registrar centenas de milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas. Esse cenário de desinformação minou a confiança de parte da população nos órgãos de saúde e, como consequência, doenças antes controladas e preveníveis por vacinação estão voltando a se manifestar.

Esses eventos não foram obra do “destino”, mas de FALHAS HUMANAS! Atribuir essas mortes ao acaso é uma forma de negar responsabilidades. Quando ignoramos relatórios de risco, quando governos postergam investimentos essenciais, quando fechamos os olhos para o impacto ambiental das nossas ações, estamos, na prática, assinando sentenças de morte.

O mais inquietante é que esse padrão se repete em diversas situações. Estradas sem manutenção se tornam armadilhas mortais. Hospitais sem recursos adequados não conseguem atender à demanda e comprometem o atendimento que poderia salvar vidas. Falhas em barragens, incêndios em favelas, deslizamentos de terra – tudo isso é previsível e, muitas vezes, evitável com planejamento e investimento adequados.

Quantas vidas perdidas ainda vamos justificar dizendo "a hora chegou" em vez de assumir nossa parte na negligência, no descaso? Até quando vamos permitir que tragédias anunciadas, que poderiam ser prevenidas, ocorram sem exigir medidas efetivas? A responsabilidade não pode ser diluída em frases fatalistas. Precisamos encarar a realidade: evitar novas tragédias exige ação, fiscalização e políticas públicas sérias. O destino de tantas vidas não pode continuar nas mãos da omissão, da indiferença.

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Publicado como coluna no jornal "O Alto Paraopeba":
https://jornaloaltoparaopeba.com.br/index.php/2025/03/30/sua-hora-chegou-quando-o-destino-e-fruto-da-negligencia/

segunda-feira, 22 de abril de 2024

O Refúgio dos Lobos | Conhecimento

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— Diga-me, Argon: isso é justo? Há realmente alguma justiça nisso? Homens que conhecem a arte de fazer algo útil para todos entregando todos os lucros de seu suor para homens que não dão retorno nenhum para eles, homens que ficam apenas enchendo suas barrigas de cerveja e comida, deixando suas mulheres em casa e descansando suas costas gordas nas tabernas e nos bordéis da cidade! Onde está a justiça nisso, Argon? E onde essa justiça condiz com a justiça aplicada – ou pelo menos representada, simulada, fingida – na Arena? O que esses ladrões avarentos da Ala Oeste têm que os faz melhores que aqueles que derramam seu suor nas oficinas, nos mercados, nas estradas, ou seu sangue na areia para conseguir o perdão por seus supostos crimes? O que eles têm que não os permite ter de lutar, de derramar o seu sangue e o de seus semelhantes na areia, pela justiça? Conhecimento, Argon. Conhecimento. (...)

📖 Wiler Jr., As Crônicas do Tirano: O Refúgio dos Lobos, Capítulo XI: Epifania. Amazon KDP, 2022.

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quarta-feira, 1 de novembro de 2023

O Refúgio dos Lobos | À vista das colinas

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Mirou os olhos nas colinas densamente arborescidas ao longe e deixou a mente perder-se em pensamentos. Como sempre, homens pescavam e crianças saltitavam na grama. Ao longe, um bando de milhares de pássaros esbanjava sua liberdade sobre as colinas, avançando vagarosamente contra o céu sem nuvens, descendo como flechas sobre as copas das árvores e subindo novamente. Mais próximo, pouco além do leito do fosso, ao sopé da colina contornada pela estrada para o sul, andorinhas rodeavam uma gigantesca paineira. Em breve, ele intuitivamente sabia, o frio as espantaria dali.
⛰️

📖 Wiler Jr., As Crônicas do Tirano: O Refúgio dos Lobos, Capítulo I: Prelúdio ao primeiro roubo, 2022.

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sábado, 29 de julho de 2023

O Refúgio dos Lobos | Meninos homens

  

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E dedicaram-se a comer, beber, cantar e dançar, pulando de um lado para o outro. Avhas, puxando os movimentos e a cantoria, revelou-se — quem diria — um esplêndido dançarino e um exímio tenor.

Enquanto eu em casa estava
Só pulava sorria e cantava.
Hoje, que cresci, sou um homem,
Rujo, rosno e esbanjo coragem!


E os que conheciam a quadrinha simulavam um rosnado, enquanto pulavam ritmicamente e sorriam com canecos e carne nas mãos.


📖 Wiler Jr., As Crônicas do Tirano: O Refúgio dos Lobos, Capítulo VI: O Pacto, 2022.

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domingo, 23 de abril de 2023

O Refúgio dos Lobos | Histórias gravadas no papel

 

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– Se essas histórias forem jogadas no papel, gravadas num livro, pode ser muito difícil distorcê-las, porque a versão original continuará existindo. Aliás, digamos, a não ser
que alguém escreva uma história com essas distorções e dê fim ao seu livro, o que inclui todas as cópias existentes dele. Ou, ainda, caso alguém leia suas histórias e invente para elas um significado diferente, bem diferente, do que você queria realmente passar, usando-as para o bem ou para o mal.

Rhos pigarreou alto, chamando a atenção para si.

– Isso quer dizer que eu deveria escrever minhas histórias no papel, mesmo que um dia elas possam servir para o bem ou para o mal?

Argon refletiu por um momento. Ele não entendia completamente tudo o que dizia; apenas repetia o que ouvira – com os olhos fascinados e atentos e a memória mais ainda – o pai dizer enquanto lhe ensinava. (...)

– Por que não? – respondeu com firmeza finalmente, tentando não deixar transparecer seu momento de hesitação. – Nunca se sabe quando o que é escrito nos livros será usado para o bem ou para o mal, para simplesmente contar algo que aconteceu em outra época ou para justificar alguma coisa. O que importa é que as palavras saiam pelo mundo, brotadas das cabeças do maior número de pessoas possível. O que importa é que não exista apenas uma palavra que dite o que é verdade e o que é mentira, mas várias palavras que tentem chegar a algo aceito por todos, que beneficie todos, depois de elas. terem dialogado, conversado, discutido por muito, muito, muito tempo.

📖 Wiler Jr., As Crônicas do Tirano: O Refúgio dos Lobos, Capítulo IV: Talento Revelado, 2022.

🔸Hoje, 23 de abril, é o Dia Mundial do Livro, ferramenta esta que, segundo Carl Sagan (1934-1996), "é a prova de que o ser humano é capaz de fazer magia". 📚🪄

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quinta-feira, 23 de março de 2023

O Refúgio dos Lobos | Luta

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Era uma criança, uma miniatura de gente, mas tinha o sangue de seus irmãos agora correndo em suas veias e compartilhava da mesma luta.

Luta.

Que luta, afinal? Proteger e acolher os vulneráveis? Como poderia fazê-lo se ele mesmo era um dos vulneráveis?

Era uma criança, uma miniatura de gente. Era vulnerável como uma mariposa atingida pelo agudo trissar de um morcego nas noites escuras da Ala Leste.

Ainda assim, era um lobo.

👦🐺

📖 Wiler Jr., As Crônicas do Tirano: O Refúgio dos Lobos, Capítulo VIII: O frio da Ala Oeste, 2022.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Breves Considerações | "Variedades da Experiência Científica", de Carl Sagan

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Trocando em miúdos, Variedades da experiência científica: uma visão pessoal da busca por Deus é a transcrição de palestras geniais do grande mestre da ciência e da divulgação científica Carl Sagan (1934-1936), com sua forma simples de explicar conceitos complexos e de discutir as motivações que, do princípio de sua história até os dias atuais, têm levado o ser humano a justificar as leis da natureza de uma maneira transcendental.

Um breve e importantíssimo trecho do livro: 
 
"Precisamos mesmo é afiar nossa capacidade de explicação, de diálogo, do que costumava ser chamado de lógica e retórica, e que antigamente era essencial a toda educação universitária; afiar nosso potencial para a compaixão, que, assim como as capacidades intelectuais, precisa de prática para ser aperfeiçoado. Se queremos entender a crença do outro, temos também que entender as deficiências e inadequações da nossa própria crença. E essas deficiências e inadequações são enormes. Isso vale para qualquer tradição política, ideológica ou étnica de que venhamos.

Num universo complexo, numa sociedade que passa por mudanças inéditas, como poderemos encontrar a verdade se não estivermos dispostos a questionar tudo e a dar uma oportunidade justa para ouvir de tudo? Há uma estreiteza de pensamento global que está pondo a espécie em risco. Ela sempre existiu, mas os riscos não eram tão graves, porque naquela época as armas de destruição em massa não estavam disponíveis."

📚 SAGAN, CarlVariedades da experiência científica: uma visão pessoal da busca por Deus. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

Confira o livro na Amazon.com.br clicando aqui.

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sábado, 18 de fevereiro de 2023

O Refúgio dos Lobos | Sobre a esperança

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– Como diria o velho e sábio Siobrin, o pai de sua mãe: "As folhas tardam a cair e os pássaros, a migrar. O inverno também tardará, mas virá cruel e impiedoso, e vingará o atraso que foi forçado a cometer. Independentemente disso, como sempre, nós o venceremos e as rosas tornarão a florir." 🌄

📖 Wiler Jr., As Crônicas do Tirano: O Refúgio dos Lobos, Capítulo I: Prelúdio ao primeiro roubo, 2022.

Leia o prólogo do livro aqui.

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

O que é ser "patriota"?



Acredito que jamais esquecerei o episódio que presenciei, alguns dias atrás, neste início de 2023, em um dos hospitais de minha cidade natal, em que um homem já além da meia-idade, ao escutar o hino nacional brasileiro tocando no aparelho celular de uma mulher de meia-idade, prontamente parou o exercício de fisioterapia que fazia, endireitou-se o máximo que pôde e levantou o braço direito em um ângulo de aproximadamente 45 graus na horizontal – sim, a saudação nazista, refletida no Brasil como "anauê" –, ao que um outro homem, este de meia-idade, com ar orgulhoso e solene, falou:
— Ah, patriota!

Desde então, e muito mais do que antes, tenho refletido sobre o que é ser "patriota".



sábado, 4 de fevereiro de 2023

O Refúgio dos Lobos | Você conhece a fome, o abandono, o descaso?


Post original aqui

Você conhece a fome? Em minha própria pele, não a conheço, nunca a experimentei por mais do que algumas horas. O máximo que consigo fazer é imaginar e transcrever a sensação de passar pela fome, pelo abandono, pelo descaso. E a mera transcrição dessa imaginação em palavras dói, dói muito.

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📖 O livro de capa flexível de O Refúgio dos Lobos está disponível por um preço bem mais acessível na Amazon.com.br! Além de adquiri-lo por essa lojas através dos links disponíveis abaixo, você pode encomendar o seu diretamente comigo entrando em contato via Direct no meu Instagram: @wilerjrxd. 🙂

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terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Breves considerações | "O Grande Mentecapto", de Fernando Sabino

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📚 O primeiro livro que li na vida, há mais ou menos 20 anos, no início de minha adolescência, presente de aniversário que minha irmã, @danycscarmo, recebeu e tomei para ler antes dela no mesmo dia (obrigado, irmã! 😅😘), O Grande Mentecapto é uma obra do escritor brasileiro Fernando Sabino (1923-2004), publicada em 1979 e vencedora da categoria Melhor Romance do Prêmio Jabuti de 1980, que, depois de a ter relido após tanto tempo, coincidentemente no ano em que o autor completaria 100 anos, só posso reconhecer quão magnífica é, não só pelas importantes críticas feitas e reflexões levantadas, mas também porque, hoje, tenho consciência do quanto tal obra impactou meu modo de enxergar o mundo e a vida no caminho até aqui, assim como influenciou meu modo de escrever e parte das temáticas que abordo no que escrevo.

📖 O Grande Mentecapto é o herói Geraldo Viramundo, que cedo deixa a pequena vila em que nasceu, passando a viver grandiosas e marcantes aventuras e desventuras pelas terras de Minas Gerais, onde conhece e experimenta, com sua (quase) inabalável inocência de criança, a luta, o sofrimento, a humilhação, assim como a força, a coragem, a resiliência, a generosidade do povo brasileiro.

📚 SABINO, Fernando. O grande mentecapto: Relatos das aventuras e desventuras de Viramundo e de suas inenarráveis peregrinações (1979). Rio de Janeiro: Record, 2020.

🔸 Quer experimentar uma leitura envolvente, divertida, comovente, reflexiva? Leia O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino. 🙂


domingo, 22 de janeiro de 2023

Primeiro colocado no Concurso Literário "O Poeta Resiste II" da Academia Teresopolitana de Letras

 


Na última semana, recebi a tão esperada premiação do Concurso Literário O Poeta Resiste II, realizado pela Academia Teresopolitana de Letras, do qual participei e conquistei o 1° lugar na categoria Poetas com o poema Vínculo, o qual escrevi para meu irmão mais novo, @luisfelipe.maduro, em 2018, quando, pouco antes de ele se casar e se mudar de nossa cidade, da casa em que morávamos com nossa mãe, @rutecsouza, comecei a refletir sobre a nossa infância juntos. Os dois, junto a @danycscarmo, minha irmã mais velha, me mostraram o verdadeiro significado de família. 🙂

Muito obrigado pelo reconhecimento e pelo prestígio, Academia Teresopolitana de Letras! 😃

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

NOVIDADE sobre o livro "O REFÚGIO DOS LOBOS"

 


NOVIDADE sobre o livro "O Refúgio dos Lobos"!

Adquira já o seu na Amazon.com.br, na Shopee ou entrando em contato comigo via direct no meu perfil no Instagram, @wilerjrxd.

O Refúgio dos Lobos na Amazon: https://amzn.to/3XxUo1e
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

O Refúgio dos Lobos | Sobre a sobrevivência das histórias através dos tempos

 

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– Você que gosta de contar suas histórias, Rhos – continuou Argon –, e tem todas elas ainda frescas na cabeça, imagine-se como um garoto ou um adulto dos tempos vindouros, do futuro, conhecendo essas histórias e se imaginando em seu lugar, vivendo exatamente o que você viveu e como viveu: passando os mesmos apuros, as mesmas dificuldades, vencendo um dia após o outro, sem saber se venceria o próximo. Imagine-se como se fosse um garoto ou um adulto que olhasse para aquelas estátuas nas praças e imaginasse a vida dos heróis homenageados por elas. Como seria mais fácil a essas histórias chegarem até essa criança ou esse adulto: você as contando a alguém, como já faz, e torcendo para que chegassem a ele ou jogá-las no papel e deixá-las sobreviver, quase intactas, ao tempo?

📖 Wiler Jr., As Crônicas do Tirano: O Refúgio dos Lobos, Capítulo IV: Talento revelado, 2022.

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sábado, 24 de dezembro de 2022

Breves considerações | "O castelo", de Franz Kafka


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Último livro de Franz Kafka (1883-1924), O castelo simplesmente me fez sentir a angústia, a impotência e a perplexidade dos personagens perante as consequências da implacável burocracia estatal e as vicissitudes da vida de uma forma ainda mais densa e profunda do que senti ao ler o livro A metamorfose, do mesmo autor.

Em breve, lerei o livro O processo, e não consigo afirmar que eu já esteja calejado o suficiente para lidar, sem me surpreender, com as novas (ou sempre presentes, sempre cotidianas?) situações levantadas por Kafka.

📚 KAFKA, Franz. O castelo, trad., São Paulo: Novo Século, 2017.

Confira o box com os livros O castelo, O processo e A metamorfose da Novo Século Editora na Amazon.com.br clicando na imagem abaixo:

 

sábado, 12 de novembro de 2022

Trecho | Prefácio de "Andarilhos do Bem", de Carlo Ginzburg

 

Post original aqui


Abaixo, uma parte do prefácio deste livro excepcional do historiador Carlo Ginzburg seguida de uma pequena (e ainda incompleta porque o espaço é pouco) descrição do que era feito pelos chamados benandanti, os "andarilhos do bem".

"Estamos habituados a ver nas confissões dos acusados de feitiçaria o fruto da tortura e das sugestões feitas pelos juízes e a lhes negar, por conseguinte, qualquer espontaneidade. Mais precisamente, as investigações fundamentais de J. Hansen mostraram como a imagem da feitiçaria diabólica, com todos os seus acessórios – pacto com o diabo, sabá, profanação dos sacramentos – foi sendo elaborada, entre meados do século XIII e meados do XV, por teólogos e inquisidores, para depois difundir-se progressivamente, através de tratados, sermões, imagens, por toda a Europa e, mais tarde, até mesmo para além do Atlântico. Essa difusão [...] realizou-se de forma particularmente dramática no próprio curso dos processos, modelando as confissões dos acusados graças aos dois instrumentos já mencionados: a tortura e os interrogatórios 'sugestivos'." (pág. 8)

"Os ritos que os benandanti afirmavam realizar nos seus encontros noturnos são ritos que quase não é necessário interpretar, tão explícito e manifesto é o seu significado, já que não se trata aqui de superstições cristalizadas e repetidas mecanicamente, e sim de ritos intensa e emotivamente vividos. Os benandanti armados com ramos de erva-doce que lutam contra bruxas e feiticeiras munidos de caules de sorgo sabem estar combatendo 'por amor das colheitas', para assegurar à comunidade a opulência das messes, a abundância dos víveres, dos cereais miúdos, das vinhas, de 'todos os frutos da terra'. É um rito agrário que conservou uma extraordinária vitalidade quase no final do século XVI, numa zona marginal, menos alcançada pelas comunicações, como era o Friul. A que época remontam as suas origens não podemos saber. Desde já, porém, se percebe a complexidade do culto do qual o rito é a expressão." (pág. 44)

📚 GINZBURG, Carlo. Os andarilhos do bem: feitiçaria e cultos agrários nos séculos XVI e XVII (1966), trad., São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

Confira o livro na Amazon.com.br clicando aqui

sábado, 5 de novembro de 2022

eBooks de O REFÚGIO DOS LOBOS e O MUSEU disponíveis gratuitamente na Amazon! - DIA DA CIÊNCIA E DA CULTURA

 

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Os eBooks dos meus livros O Refúgio dos Lobos e o museu estão disponíveis GRATUITAMENTE na Amazon Brasil em homenagem ao Dia da Ciência e da Cultura, que é comemorado todo dia 5 de novembro!

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quarta-feira, 19 de outubro de 2022

O Refúgio dos Lobos | Uma ode à democracia

 


Uma ode à democracia, que, por mais que não seja perfeita, por mais problemas que possa ter, é o melhor regime político existente.

Entre as tantas outras qualidades positivas que ostenta, como escreveu Carl Sagan (1934-1996), a democracia, assim como a ciência, encoraja opiniões não convencionais e debate vigoroso, além de requerer raciocínio adequado, argumentos coerentes, padrões rigorosos de evidência e honestidade¹.

Respeite e lute pela democracia, mas vá além!

Não dê atenção e apoio somente ao que acredita que vai beneficiar você. Reflita sobre as necessidades dos outros, aquelas que você talvez tenha o privilégio de suprir sem muitas dificuldades, e os ajude a supri-las. Reflita sobre os direitos que você tem e os outros não e os ajude a conquistá-los.

Lembre-se sempre de que, como escreveu Herbert Spencer (1820-1903), "a liberdade de cada um termina onde começa a igual liberdade do outro"². Respeite seu próximo e os direitos dele, mas, neste ponto, não deixe de lembrar também do paradoxo da tolerância de Karl Popper (1902-1994), que postula que a tolerância ilimitada – especificamente a tolerância a ideias intolerantes cujos propagadores e seguidores não estão preparados para defendê-las com argumentos racionais, mas se impor por meio de "punhos e pistolas" – levará ao desaparecimento dos tolerantes e da própria tolerância³. 

Você consegue vislumbrar um mínimo de paz sem que os pontos citados acima sejam respeitados?

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Caso tenha interesse em meu livro O Refúgio dos Lobos, de onde extraí o trecho citado na imagem, você pode adquiri-lo na Amazon Brasil por meio dos links:

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Referências:
¹ Sagan, C. O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. Disponível em: https://amzn.to/3CECsJr
² Spencer, H. The Principles of Ethics, vol. 2 (1897). Liberty Fund, 1978. Tradução livre. Disponível gratuitamente em: https://bit.ly/3VyzVZX
³ Popper, K. R. A sociedade aberta e seus inimigos. 56ª ed. São Paulo: Editora Garnier-Itatiaia, Edusp, Universidade de São Paulo, 1957.  Disponível gratuitamente em: https://bit.ly/3yN2IQK