quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

O Refúgio dos Lobos | Sobre a sobrevivência das histórias através dos tempos

 

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– Você que gosta de contar suas histórias, Rhos – continuou Argon –, e tem todas elas ainda frescas na cabeça, imagine-se como um garoto ou um adulto dos tempos vindouros, do futuro, conhecendo essas histórias e se imaginando em seu lugar, vivendo exatamente o que você viveu e como viveu: passando os mesmos apuros, as mesmas dificuldades, vencendo um dia após o outro, sem saber se venceria o próximo. Imagine-se como se fosse um garoto ou um adulto que olhasse para aquelas estátuas nas praças e imaginasse a vida dos heróis homenageados por elas. Como seria mais fácil a essas histórias chegarem até essa criança ou esse adulto: você as contando a alguém, como já faz, e torcendo para que chegassem a ele ou jogá-las no papel e deixá-las sobreviver, quase intactas, ao tempo?

📖 Wiler Jr., As Crônicas do Tirano: O Refúgio dos Lobos, Capítulo IV: Talento revelado, 2022.

Links
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sábado, 24 de dezembro de 2022

Breves considerações | "O castelo", de Franz Kafka


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Último livro de Franz Kafka (1883-1924), O castelo simplesmente me fez sentir a angústia, a impotência e a perplexidade dos personagens perante as consequências da implacável burocracia estatal e as vicissitudes da vida de uma forma ainda mais densa e profunda do que senti ao ler o livro A metamorfose, do mesmo autor.

Em breve, lerei o livro O processo, e não consigo afirmar que eu já esteja calejado o suficiente para lidar, sem me surpreender, com as novas (ou sempre presentes, sempre cotidianas?) situações levantadas por Kafka.

📚 KAFKA, Franz. O castelo, trad., São Paulo: Novo Século, 2017.

Confira o box com os livros O castelo, O processo e A metamorfose da Novo Século Editora na Amazon.com.br clicando na imagem abaixo:

 

sábado, 12 de novembro de 2022

Trecho | Prefácio de "Andarilhos do Bem", de Carlo Ginzburg

 

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Abaixo, uma parte do prefácio deste livro excepcional do historiador Carlo Ginzburg seguida de uma pequena (e ainda incompleta porque o espaço é pouco) descrição do que era feito pelos chamados benandanti, os "andarilhos do bem".

"Estamos habituados a ver nas confissões dos acusados de feitiçaria o fruto da tortura e das sugestões feitas pelos juízes e a lhes negar, por conseguinte, qualquer espontaneidade. Mais precisamente, as investigações fundamentais de J. Hansen mostraram como a imagem da feitiçaria diabólica, com todos os seus acessórios – pacto com o diabo, sabá, profanação dos sacramentos – foi sendo elaborada, entre meados do século XIII e meados do XV, por teólogos e inquisidores, para depois difundir-se progressivamente, através de tratados, sermões, imagens, por toda a Europa e, mais tarde, até mesmo para além do Atlântico. Essa difusão [...] realizou-se de forma particularmente dramática no próprio curso dos processos, modelando as confissões dos acusados graças aos dois instrumentos já mencionados: a tortura e os interrogatórios 'sugestivos'." (pág. 8)

"Os ritos que os benandanti afirmavam realizar nos seus encontros noturnos são ritos que quase não é necessário interpretar, tão explícito e manifesto é o seu significado, já que não se trata aqui de superstições cristalizadas e repetidas mecanicamente, e sim de ritos intensa e emotivamente vividos. Os benandanti armados com ramos de erva-doce que lutam contra bruxas e feiticeiras munidos de caules de sorgo sabem estar combatendo 'por amor das colheitas', para assegurar à comunidade a opulência das messes, a abundância dos víveres, dos cereais miúdos, das vinhas, de 'todos os frutos da terra'. É um rito agrário que conservou uma extraordinária vitalidade quase no final do século XVI, numa zona marginal, menos alcançada pelas comunicações, como era o Friul. A que época remontam as suas origens não podemos saber. Desde já, porém, se percebe a complexidade do culto do qual o rito é a expressão." (pág. 44)

📚 GINZBURG, Carlo. Os andarilhos do bem: feitiçaria e cultos agrários nos séculos XVI e XVII (1966), trad., São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

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sábado, 5 de novembro de 2022

eBooks de O REFÚGIO DOS LOBOS e O MUSEU disponíveis gratuitamente na Amazon! - DIA DA CIÊNCIA E DA CULTURA

 

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Os eBooks dos meus livros O Refúgio dos Lobos e o museu estão disponíveis GRATUITAMENTE na Amazon Brasil em homenagem ao Dia da Ciência e da Cultura, que é comemorado todo dia 5 de novembro!

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Valorize a Ciência! Valorize a Cultura!

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

O Refúgio dos Lobos | Uma ode à democracia

 


Uma ode à democracia, que, por mais que não seja perfeita, por mais problemas que possa ter, é o melhor regime político existente.

Entre as tantas outras qualidades positivas que ostenta, como escreveu Carl Sagan (1934-1996), a democracia, assim como a ciência, encoraja opiniões não convencionais e debate vigoroso, além de requerer raciocínio adequado, argumentos coerentes, padrões rigorosos de evidência e honestidade¹.

Respeite e lute pela democracia, mas vá além!

Não dê atenção e apoio somente ao que acredita que vai beneficiar você. Reflita sobre as necessidades dos outros, aquelas que você talvez tenha o privilégio de suprir sem muitas dificuldades, e os ajude a supri-las. Reflita sobre os direitos que você tem e os outros não e os ajude a conquistá-los.

Lembre-se sempre de que, como escreveu Herbert Spencer (1820-1903), "a liberdade de cada um termina onde começa a igual liberdade do outro"². Respeite seu próximo e os direitos dele, mas, neste ponto, não deixe de lembrar também do paradoxo da tolerância de Karl Popper (1902-1994), que postula que a tolerância ilimitada – especificamente a tolerância a ideias intolerantes cujos propagadores e seguidores não estão preparados para defendê-las com argumentos racionais, mas se impor por meio de "punhos e pistolas" – levará ao desaparecimento dos tolerantes e da própria tolerância³. 

Você consegue vislumbrar um mínimo de paz sem que os pontos citados acima sejam respeitados?

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Caso tenha interesse em meu livro O Refúgio dos Lobos, de onde extraí o trecho citado na imagem, você pode adquiri-lo na Amazon Brasil por meio dos links:

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Referências:
¹ Sagan, C. O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. Disponível em: https://amzn.to/3CECsJr
² Spencer, H. The Principles of Ethics, vol. 2 (1897). Liberty Fund, 1978. Tradução livre. Disponível gratuitamente em: https://bit.ly/3VyzVZX
³ Popper, K. R. A sociedade aberta e seus inimigos. 56ª ed. São Paulo: Editora Garnier-Itatiaia, Edusp, Universidade de São Paulo, 1957.  Disponível gratuitamente em: https://bit.ly/3yN2IQK